Junho 2013
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Lo que me hubiera gustado ser a mí si no fuera lo que soy - César Bruto
Maio 2013
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Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água.” —Rayuela - Julio Cortázar
o que fazemos com as palavras que foram ditas quando elas não servem pra mais ninguém?
La sensación de miedo, vergüenza, sentirme debil a tu lado, el tropezar de mis palabras, el sudor en mis manos la falta de oxígeno… Sufro una oleada de síntomas que no logro dominar, como tampoco logro dominar mi sonrisa cuando te miro, como tampoco logro dominar cuando te pienso mis suspiros. Eres lo más parecido a una enfermedad que me provoca síntomas de que lo que siento es de verdad
El moño, las pestañas, las pupilas,
el peroné, la tibia, las narices,
la frente, los tobillos, las axilas,
el menisco, la aorta, las varices.
La garganta, los párpados, las cejas,
las plantas de los pies, la comisura,
los cabellos, el coxis, las orejas,
los nervios, la matriz, la dentadura.
Las encías, las nalgas, los tendones,
la rabadilla, el vientre, las costillas,
los húmeros, el pubis, los talones.
La clavícula, el cráneo, la papada,
el clítoris, el alma, las cosquillas,
esa es mi patria, alrededor no hay nada
e eu navego a deriva dos seus beijos” —Filme Romance
desobedecendo todas as recomendações almocei sozinha no seu restaurante preferido e pedi a sobremesa que você mais gosta. o efeito foi libertador. deixei um pouco de você em cada pessoa que entrou ali. as mãos no garçom, o cabelo em um rapaz de óculos e o gosto, em cada mordida doce que dei…
nunca mais voltei ali.
“Não sei onde estou, não sei mais de onde vim. Dispenso esses conhecimentos, que agora só resta um caminho em frente e corro para esses lados. Sou o último de uma espécie. Conheci coisas más e, de propósito, senti coisas más. Um bicho ruim eu sou. Mas alisa-me a cabeça e me doma como se faz às feras. Você mostra que, na constância, posso ser constante. E o óbvio passa a ser poesia.”
Trecho de Sobre Você, Devagar - Alessandro Martins
Amor a gente pode encontrar a caminho da padaria numa manhã chuvosa, na fila enorme do banco após um feriado, pegando o ônibus errado pro trabalho, andando distraído e encontrando uma pedra pra tropeçar, no mercado procurando chocolate pra curar de outro amor, enquanto ainda tem um pseudo amor ou um amor vencido… amor pode cruzar a esquina que você está, pode cantar a música que você gosta no parque, pode olhar e perder na gente um tanto dele.
E o que fazer quando, mesmo procurando, mesmo não procurando, o amor aparece sempre em velhas fotos? O amor congelou em lembranças e o amor que descongela ainda não cruzou o caminho. Ou mora na China. Ou só tem um e já acabou.
Amor é brincadeira de criança travessa. Você, enjoado da brincadeira, pegou seus brinquedos e foi embora. Deixou-a com coração largado no chão em uma poça suja de lágrimas e desesperança, sem o colorido do amor.
E ela, com a respiração já fraca, suspirava por noites inteiras e longas no travesseiro: deixa eu me agarrar nos seus pelos enquanto ainda consigo respirar e tenho alguma pequena chance de sair daqui, deixa eu olhar pelos seus olhos porque os meus não enxergam nada no mundo que não seja você, deixa eu caminhar até a porta que dá pro seu quarto. E afogando-se em lágrimas dormia um sono tempestuoso onde o sonho era apenas sonho e amarelava junto com o sol que lhe acordava de manhã. Amargo, mais amargo que o café preto sem açúcar, era o despertar sozinha e vazia após sonhos de amor de príncipe e princesa.
Era ela e somente ela. Perdida num mundo vazio e estranho. Ela andava por caminhos novos porque os velhos, embora alguma indiferença conseguida após aguar o amor com lágrimas sofridas, ainda causavam dores estranhas no peito.
Era somente ela que andava distraída, comendo amor em fotos antigas e no perfume que se perdeu no seu nariz. Sem procurar amor pelas esquinas e ladeiras. Desacreditava no destino de amor novo, vivendo como um robô programado pra acordar as seis, tomar café, tomar banho, escovar os dentes, estar apresentável as sete e trinta no cubículo do escritório, organizar arquivos e pastas com desdém, receber salário, pagar contas, ir ao mercado aos sábados, comprar pão depois do passeio com o cachorro nas manhãs ensolaradas de domingo e morrer nas manhãs chuvosas de domingo.
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